4 de maio de 2008

Eu odeio você
ta bom, eu sou chata e preciso me corrigir! Meu último texto ta cheio de erro.. ¬¬
Daqui à dez anos, eu quero estar formada em medicina, trabalhando em um hospital! Quero ser rica, claro, quero fazer medicina também pelo dinheiro.
Morar numa casa grande, com uma piscina bem larga e comprida, com um piano preto e espelhado na minha sala...
Ir ao teatro e ópera aos sábados, viajar para a França e Áustria nas férias...
Ter uma vida boa e morar sozinha
Já se sentiram cansados só de respirar? Como se algo estivesse errado! Como se você estivesse errada de fazer algo errado e que sabe que é errado e que vai se prejudicar, que aliás, já está sendo prejudicada..
Está cansado, mas já se sei como isso vai terminar.
Enfim, esse feriado foi horrível, não estudei nada e deixei todos os trabalhos para fazer hoje, logo na véspera... Eu estou com tanta raiva de mim por ter acreditado em tanta pouca coisa..
É, acabou...

20 de abril de 2008

Fazia tempo que não passava um final de semana sozinha. Sozinha, sozinha mesmo. Ter a casa só para mim: poder acordar e dormir a hora que quiser, comer enlatados, ver TV, ouvir música alta, ficar de pijama o dia todo.
Todo mundo precisa de um tempo sozinho, e às vezes ter só seu quarto como confidente não é bom. O bom mesmo é andar pela casa de pijama e pantufas, falar alto e reclamar dos quadros horripilantes que minha mãe tem mania de pendurar, sem repreensão.
Poder tomar canecas e canecas seguidas de café e assistir seriados até madrugada...
Enfim, no próximo feriado vou ficar sozinha de novo, mas vou aproveitar para estudar, as madrugadas de café serão destinadas aos livros.

13 de abril de 2008

"Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranqüilo..."


Quando tiver inspirada escrevo algo...

7 de abril de 2008

Ah sim, é do Machado de Assis...

Uns Braços

Inácio estremeceu, ouvindo os gritos do solicitador, recebeu o prato que este lhe apresentava e tratou de comer, debaixo de uma trovoada de nomes, malandro, cabeça de vento, estúpido, maluco. — Onde anda que nunca ouve o que lhe digo? Hei de contar tudo a seu pai, para que lhe sacuda a preguiça do corpo com uma boa vara de marmelo, ou um pau; sim, ainda pode apanhar, não pense que não. Estúpido! maluco! — Olhe que lá fora é isto mesmo que você vê aqui, continuou, voltando-se para D. Severina, senhora que vivia com ele maritalmente, há anos. Confunde-me os papéis todos, erra as casas, vai a um escrivão em vez de ir a outro, troca os advogados: é o diabo! É o tal sono pesado e contínuo. De manhã é o que se vê; primeiro que acorde é preciso quebrar-lhe os ossos.. . Deixe; amanhã hei de acordá-lo a pau de vassoura! D. Severina tocou-lhe no pé, como pedindo que acabasse. Borges espeitorou ainda alguns impropérios, e ficou em paz com Deus e os homens. Não digo que ficou em paz com os meninos, porque o nosso Inácio não era propriamente menino. Tinha quinze anos feitos e bem feitos. Cabeça inculta, mas bela, olhos de rapaz que sonha, que adivinha, que indaga, que quer saber e não acaba de saber nada. Tudo isso posto sobre um corpo não destituído de graça, ainda que mal vestido. O pai é barbeiro na Cidade Nova, e pô-lo de agente, escrevente, ou que quer que era, do solicitador Borges, com esperança de vê-lo no foro, porque lhe parecia que os procuradores de causas ganhavam muito. Passava-se isto na Rua da Lapa, em 1870. Durante alguns minutos não se ouviu mais que o tinir dos talheres e o ruído da mastigação. Borges abarrotava-se de alface e vaca; interrompia-se para virgular a oração com um golpe de vinho e continuava logo calado. Inácio ia comendo devagarinho, não ousando levantar os olhos do prato, nem para colocá-los onde eles estavam no momento em que o terrível Borges o descompôs. Verdade é que seria agora muito arriscado. Nunca ele pôs os olhos nos braços de D. Severina que se não esquecesse de si e de tudo. Também a culpa era antes de D. Severina em trazê-los assim nus, constantemente. Usava mangas curtas em todos os vestidos de casa, meio palmo abaixo do ombro; dali em diante ficavam-lhe os braços à mostra. Na verdade, eram belos e cheios, em harmonia com a dona, que era antes grossa que fina, e não perdiam a cor nem a maciez por viverem ao ar; mas é justo explicar que ela os não trazia assim por faceira, senão porque já gastara todos os vestidos de mangas compridas. De pé, era muito vistosa; andando, tinha meneios engraçados; ele, entretanto, quase que só a via à mesa, onde, além dos braços, mal poderia mirar-lhe o busto. Não se pode dizer que era bonita; mas também não era feia. Nenhum adorno; o próprio penteado consta de mui pouco; alisou os cabelos, apanhou-os, atou-os e fixou-os no alto da cabeça com o pente de tartaruga que a mãe lhe deixou. Ao pescoço, um lenço escuro, nas orelhas, nada. Tudo isso com vinte e sete anos floridos e sólidos. Acabaram de jantar. Borges, vindo o café, tirou quatro charutos da algibeira, comparou-os, apertou-os entre os dedos, escolheu um e guardou os restantes. Aceso o charuto, fincou os cotovelos na mesa e falou a D. Severina de trinta mil cousas que não interessavam nada ao nosso Inácio; mas enquanto falava, não o descompunha e ele podia devanear à larga. Inácio demorou o café o mais que pôde. Entre um e outro gole alisava a toalha, arrancava dos dedos pedacinhos de pele imaginários ou passava os olhos pelos quadros da sala de jantar, que eram dous, um S. Pedro e um S. João, registros trazidos de festas encaixilhados em casa. Vá que disfarçasse com S. João, cuja cabeça moça alegra as imaginações católicas, mas com o austero S. Pedro era demais. A única defesa do moço Inácio é que ele não via nem um nem outro; passava os olhos por ali como por nada. Via só os braços de D. Severina, — ou porque sorrateiramente olhasse para eles, ou porque andasse com eles impressos na memória. — Homem, você não acaba mais? bradou de repente o solicitador. Não havia remédio; Inácio bebeu a última gota, já fria, e retirou-se, como de costume, para o seu quarto, nos fundos da casa. Entrando, fez um gesto de zanga e desespero e foi depois encostar-se a uma das duas janelas que davam para o mar. Cinco minutos depois, a vista das águas próximas e das montanhas ao longe restituía-lhe o sentimento confuso, vago, inquieto, que lhe doía e fazia bem, alguma cousa que deve sentir a planta, quando abotoa a primeira flor. Tinha vontade de ir embora e de ficar. Havia cinco semanas que ali morava, e a vida era sempre a mesma, sair de manhã com o Borges, andar por audiências e cartórios, correndo, levando papéis ao selo, ao distribuidor, aos escrivães, aos oficiais de justiça. Voltava à tarde jantava e recolhia-se ao quarto, até a hora da ceia; ceava e ia dormir. Borges não lhe dava intimidade na família, que se compunha apenas de D. Severina, nem Inácio a via mais de três vezes por dia, durante as refeições. Cinco semanas de solidão, de trabalho sem gosto, longe da mãe e das irmãs; cinco semanas de silêncio, porque ele só falava uma ou outra vez na rua; em casa, nada. "Deixe estar, — pensou ele um dia — fujo daqui e não volto mais." Não foi; sentiu-se agarrado e acorrentado pelos braços de D. Severina. Nunca vira outros tão bonitos e tão frescos. A educação que tivera não lhe permitia encará-los logo abertamente, parece até que a princípio afastava os olhos, vexado. Encarou-os pouco a pouco, ao ver que eles não tinham outras mangas, e assim os foi descobrindo, mirando e amando. No fim de três semanas eram eles, moralmente falando, as suas tendas de repouso. Agüentava toda a trabalheira de fora toda a melancolia da solidão e do silêncio, toda a grosseria do patrão, pela única paga de ver, três vezes por dia, o famoso par de braços. Naquele dia, enquanto a noite ia caindo e Inácio estirava-se na rede (não tinha ali outra cama), D. Severina, na sala da frente, recapitulava o episódio do jantar e, pela primeira vez, desconfiou alguma cousa Rejeitou a idéia logo, uma criança! Mas há idéias que são da família das moscas teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas tornam e pousam. Criança? Tinha quinze anos; e ela advertiu que entre o nariz e a boca do rapaz havia um princípio de rascunho de buço. Que admira que começasse a amar? E não era ela bonita? Esta outra idéia não foi rejeitada, antes afagada e beijada. E recordou então os modos dele, os esquecimentos, as distrações, e mais um incidente, e mais outro, tudo eram sintomas, e concluiu que sim. — Que é que você tem? disse-lhe o solicitador, estirado no canapé, ao cabo de alguns minutos de pausa. — Não tenho nada. — Nada? Parece que cá em casa anda tudo dormindo! Deixem estar, que eu sei de um bom remédio para tirar o sono aos dorminhocos . . . E foi por ali, no mesmo tom zangado, fuzilando ameaças, mas realmente incapaz de as cumprir, pois era antes grosseiro que mau. D. Severina interrompia-o que não, que era engano, não estava dormindo, estava pensando na comadre Fortunata. Não a visitavam desde o Natal; por que não iriam lá uma daquelas noites? Borges redargüia que andava cansado, trabalhava como um negro, não estava para visitas de parola, e descompôs a comadre, descompôs o compadre, descompôs o afilhado, que não ia ao colégio, com dez anos! Ele, Borges, com dez anos, já sabia ler, escrever e contar, não muito bem, é certo, mas sabia. Dez anos! Havia de ter um bonito fim: — vadio, e o covado e meio nas costas. A tarimba é que viria ensiná-lo. D. Severina apaziguava-o com desculpas, a pobreza da comadre, o caiporismo do compadre, e fazia-lhe carinhos, a medo, que eles podiam irritá-lo mais. A noite caíra de todo; ela ouviu o tlic do lampião do gás da rua, que acabavam de acender, e viu o clarão dele nas janelas da casa fronteira. Borges, cansado do dia, pois era realrnente um trabalhador de primeira ordem, foi fechando os olhos e pegando no sono, e deixou-a só na sala, às escuras, consigo e com a descoberta que acaba de fazer. Tudo parecia dizer à dama que era verdade; mas essa verdade, desfeita a impressão do assombro, trouxe-lhe uma complicação moral que ela só conheceu pelos efeitos, não achando meio de discernir o que era. Não podia entender-se nem equilibrar-se, chegou a pensar em dizer tudo ao solicitador, e ele que mandasse embora o fedelho. Mas que era tudo? Aqui estacou: realmente, não havia mais que suposção, coincidência e possivelmente ilusão. Não, não, ilusão não era. E logo recolhia os indícios vagos, as atitudes do mocinho, o acanhamento, as distrações, para rejeitar a idéia de estar enganada. Daí a pouco, (capciosa natureza!) refletindo que seria mau acusá-lo sem fundamento, admitiu que se iludisse, para o único fim de observá-lo melhor e averiguar bem a realidade das cousas. Já nessa noite, D. Severina mirava por baixo dos olhos os gestos de Inácio; não chegou a achar nada, porque o tempo do chá era curto e o rapazinho não tirou os olhos da xícara. No dia seguinte pôde observar melhor, e nos outros otimamente. Percebeu que sim, que era amada e temida, amor adolescente e virgem, retido pelos liames sociais e por um sentimento de inferioridade que o impedia de reconhecer-se a si mesmo. D. Severina compreendeu que não havia recear nenhum desacato, e concluiu que o melhor era não dizer nada ao solicitador; poupava-lhe um desgosto, e outro à pobre criança. Já se persuadia bem que ele era criança, e assentou de o tratar tão secamente como até ali, ou ainda mais. E assim fez; Inácio começou a sentir que ela fugia com os olhos, ou falava áspero, quase tanto como o próprio Borges. De outras vezes, é verdade que o tom da voz saía brando e até meigo, muito meigo; assim como o olhar geralmente esquivo, tanto errava por outras partes, que, para descansar, vinha pousar na cabeça dele; mas tudo isso era curto. — Vou-me embora, repetia ele na rua como nos primeiros dias. Chegava a casa e não se ia embora. Os braços de D. Severina fechavam-lhe um parêntesis no meio do longo e fastidioso período da vida que levava, e essa oração intercalada trazia uma idéia original e profunda, inventada pelo céu unicamente para ele. Deixava-se estar e ia andando. Afinal, porém, teve de sair, e para nunca mais; eis aqui como e porquê. D. Severina tratava-o desde alguns dias com benignidade. A rudeza da voz parecia acabada, e havia mais do que brandura, havia desvelo e carinho. Um dia recomendava-lhe que não apanhasse ar, outro que não bebesse água fria depois do café quente, conselhos, lembranças, cuidados de amiga e mãe, que lhe lançaram na alma ainda maior inquietação e confusão. Inácio chegou ao extremo de confiança de rir um dia à mesa, cousa que jamais fizera; e o solicitador não o tratou mal dessa vez, porque era ele que contava um caso engraçado, e ninguém pune a outro pelo aplauso que recebe. Foi então que D. Severina viu que a boca do mocinho, graciosa estando calada, não o era menos quando ria. A agitação de Inácio ia crescendo, sem que ele pudesse acalmar-se nem entender-se. Não estava bem em parte nenhuma. Acordava de noite, pensando em D. Severina. Na rua, trocava de esquinas, errava as portas, muito mais que dantes, e não via mulher, ao longe ou ao perto, que lha não trouxesse à memória. Ao entrar no corredor da casa, voltando do trabalho, sentia sempre algum alvoroço, às vezes grande, quando dava com ela no topo da escada, olhando através das grades de pau da cancela, como tendo acudido a ver quem era. Um domingo, — nunca ele esqueceu esse domingo, — estava só no quarto, à janela, virado para o mar, que lhe falava a mesma linguagem obscura e nova de D. Severina. Divertia-se em olhar para as gaivotas, que faziam grandes giros no ar, ou pairavam em cima d'água, ou avoaçavam somente. O dia estava lindíssimo. Não era só um domingo cristão; era um imenso domingo universal. Inácio passava-os todos ali no quarto ou à janela, ou relendo um dos três folhetos que trouxera consigo, contos de outros tempos, comprados a tostão, debaixo do passadiço do Largo do Paço. Eram duas horas da tarde. Estava cansado, dormira mal a noite, depois de haver andado muito na véspera; estirou-se na rede, pegou em um dos folhetos, a Princesa Magalona, e começou a ler. Nunca pôde entender por que é que todas as heroínas dessas velhas histórias tinham a mesma cara e talhe de D. Severina, mas a verdade é que os tinham. Ao cabo de meia hora, deixou cair o folheto e pôs os olhos na parede, donde, cinco minutos depois, viu sair a dama dos seus cuidados. O natural era que se espantasse; mas não se espantou. Embora com as pálpebras cerradas viu-a desprender-se de todo, parar, sorrir e andar para a rede. Era ela mesma, eram os seus mesmos braços. É certo, porém, que D. Severina, tanto não podia sair da parede, dado que houvesse ali porta ou rasgão, que estava justamente na sala da frente ouvindo os passos do solicitador que descia as escadas. Ouviu-o descer; foi à janela vê-lo sair e só se recolheu quando ele se perdeu ao longe, no caminho da Rua das Mangueiras. Então entrou e foi sentar-se no canapé. Parecia fora do natural, inquieta, quase maluca; levantando-se, foi pegar na jarra que estava em cima do aparador e deixou-a no mesmo lugar; depois caminhou até à porta, deteve-se e voltou, ao que parece, sem plano. Sentou-se outra vez cinco ou dez minutos. De repente, lembrou-se que Inácio comera pouco ao almoço e tinha o ar abatido, e advertiu que podia estar doente; podia ser até que estivesse muito mal. Saiu da sala, atravessou rasgadamente o corredor e foi até o quarto do mocinho, cuja porta achou escancarada. D. Severina parou, espiou, deu com ele na rede, dormindo, com o braço para fora e o folheto caído no chão. A cabeça inclinava-se um pouco do lado da porta, deixando ver os olhos fechados, os cabelos revoltos e um grande ar de riso e de beatitude. D. Severina sentiu bater-lhe o coração com veemência e recuou. Sonhara de noite com ele; pode ser que ele estivesse sonhando com ela. Desde madrugada que a figura do mocinho andava-lhe diante dos olhos como uma tentação diabólica. Recuou ainda, depois voltou, olhou dous, três, cinco minutos, ou mais. Parece que o sono dava à adolescência de Inácio uma expressão mais acentuada, quase feminina, quase pueril. "Uma criança!" disse ela a si mesma, naquela língua sem palavras que todos trazemos conosco. E esta idéia abateu-lhe o alvoroço do sangue e dissipou-lhe em parte a turvação dos sentidos. "Uma criança!" E mirou-o lentamente, fartou-se de vê-lo, com a cabeça inclinada, o braço caído; mas, ao mesmo tempo que o achava criança, achava-o bonito, muito mais bonito que acordado, e uma dessas idéias corrigia ou corrompia a outra. De repente estremeceu e recuou assustada: ouvira um ruído ao pé, na saleta do engomado; foi ver, era um gato que deitara uma tigela ao chão. Voltando devagarinho a espiá-lo, viu que dormia profundamente. Tinha o sono duro a criança! O rumor que a abalara tanto, não o fez sequer mudar de posição. E ela continuou a vê-lo dormir, — dormir e talvez sonhar. Que não possamos ver os sonhos uns dos outros! D. Severina ter-se-ia visto a si mesma na imaginação do rapaz; ter-se-ia visto diante da rede, risonha e parada; depois inclinar-se, pegar-lhe nas mãos, levá-las ao peito, cruzando ali os braços, os famosos braços. Inácio, namorado deles, ainda assim ouvia as palavras dela, que eram lindas cálidas, principalmente novas, — ou, pelo menos, pertenciam a algum idioma que ele não conhecia, posto que o entendesse. Duas três e quatro vezes a figura esvaía-se, para tornar logo, vindo do mar ou de outra parte, entre gaivotas, ou atravessando o corredor com toda a graça robusta de que era capaz. E tornando, inclinava-se, pegava-lhe outra vez das mãos e cruzava ao peito os braços, até que inclinando-se, ainda mais, muito mais, abrochou os lábios e deixou-lhe um beijo na boca. Aqui o sonho coincidiu com a realidade, e as mesmas bocas uniram-se na imaginação e fora dela. A diferença é que a visão não recuou, e a pessoa real tão depressa cumprira o gesto, como fugiu até à porta, vexada e medrosa. Dali passou à sala da frente, aturdida do que fizera, sem olhar fixamente para nada. Afiava o ouvido, ia até o fim do corredor, a ver se escutava algum rumor que lhe dissesse que ele acordara, e só depois de muito tempo é que o medo foi passando. Na verdade, a criança tinha o sono duro; nada lhe abria os olhos, nem os fracassos contíguos, nem os beijos de verdade. Mas, se o medo foi passando, o vexame ficou e cresceu. D. Severina não acabava de crer que fizesse aquilo; parece que embrulhara os seus desejos na idéia de que era uma criança namorada que ali estava sem consciência nem imputação; e, meia mãe, meia amiga, inclinara-se e beijara-o. Fosse como fosse, estava confusa, irritada, aborrecida mal consigo e mal com ele. O medo de que ele podia estar fingindo que dormia apontou-lhe na alma e deu-lhe um calefrio. Mas a verdade é que dormiu ainda muito, e só acordou para jantar. Sentou-se à mesa lépido. Conquanto achasse D. Severina calada e severa e o solicitador tão ríspido como nos outros dias, nem a rispidez de um, nem a severidade da outra podiam dissipar-lhe a visão graciosa que ainda trazia consigo, ou amortecer-lhe a sensação do beijo. Não reparou que D. Severina tinha um xale que lhe cobria os braços; reparou depois, na segunda-feira, e na terça-feira, também, e até sábado, que foi o dia em que Borges mandou dizer ao pai que não podia ficar com ele; e não o fez zangado, porque o tratou relativamente bem e ainda lhe disse à saída: — Quando precisar de mim para alguma cousa, procure-me. — Sim, senhor. A Sra. D. Severina. . . — Está lá para o quarto, com muita dor de cabeça. Venha amanhã ou depois despedir-se dela. Inácio saiu sem entender nada. Não entendia a despedida, nem a completa mudança de D. Severina, em relação a ele, nem o xale, nem nada. Estava tão bem! falava-lhe com tanta amizade! Como é que, de repente. . . Tanto pensou que acabou supondo de sua parte algurn olhar indiscreto, alguma distração que a ofendera, não era outra cousa; e daqui a cara fechada e o xale que cobria os braços tão bonitos... Não importa; levava consigo o sabor do sonho. E através dos anos, por meio de outros amores, mais efetivos e longos, nenhuma sensação achou nunca igual à daquele domingo, na Rua da Lapa, quando ele tinha quinze anos. Ele mesmo exclama às vezes, sem saber que se engana: E foi um sonho! um simples sonho!

5 de abril de 2008

O que está acontecendo com o mundo?
Será que não sobra gentileza? Se falta de educação matasse...
O que eu faço para conseguir que o homem que sabe história e fale francês se apaixone por mim?
OLha eu cometi um erro horrível, de gramática, imperdoável! Na verdade faltou duas letras em uma palavra e acabou mudando o sentido!

¬¬*

Ah sim, eu estava ouvindo a música Hey Jude - quando escrevi o último texo! É linda, linda, linda, linda, linda....
Eu nunca namorei e isso nunca me incomodou. Estive pensando, já faz um tempo, parece que eu tento fugir de relacionamentos.
No casamento da Verônica, eu esqueci de contar aqui, foi lindo! Foi no Resort Hotel, em frente à praia, com as cores do outono, realmente foi divino! Mas enfim, eu encontrei muita gente que não via há muito tempo. O Alan, o único cara que conseguiu me aturar por uns três meses, e quando comecei a sentir que estávamos indo fundo demais tratei de me afastar. Ainda me lembro das amigas indignadas “Como você pode fazer isso?” Na verdade eu nem sei como conseguíamos ficar juntos, brigávamos quase o tempo todo, o que sentíamos um pelo outro era uma tração incrível, me lembro da primeira vez que ficamos, foi uma troca de olhares e uma afinidade surpreendente! Ele me achava linda e eu o achava lindo, mas isso não bastava para que ficássemos juntos... Claro. Não tínhamos química, nem assunto.. E tudo foi se definhando com o tempo...
Era surpreendente a educação que ele tinha comigo, nem me lembro quando foi à última vez que alguém me tratou tão bem e os olhos dele eram extremamente azuis... Hoje ele está com a Claudia, linda também, os dois se merecem...
Os caras que fiquei, não foram muitos, eram mais velhos que eu e isso também fazia com que o “relacionamento” acabasse mais rápido do que previa. Homens mais velhos são protetores e cautelosos, tem medo de nos magoar, etc. Toda essa baboseira sem sentindo dos homens frustrados.
Homens são seres complexos, acho que até muito mais do que as mulheres! Mulheres são diferentes em algumas coisas, mas a essência é sempre a mesma. Há as sádicas, as masoquistas, as sadomasoquistas, as sensíveis, as insensíveis, as românticas, etc. Mas todas, sem exceção gostam de serem lembradas, mimadas, elogiadas...
Eu, por exemplo, adoro quando reparam nos meus detalhes preferidos. Claro, mas ninguém nunca repara...
Eu gosto das minhas sobrancelhas, tento sempre deixar elas simétricas, ninguém vai reparar nisso... E eu também gosto dos meus pés, da minha pele (especialmente quando eu fico corada), da minha mania de mexer no brinco quando estou entediada e do meu sorriso.
E eu espero ou esperava encontrar alguém que repare nesses detalhes e que goste deles tanto quanto eu. Mas quando a gente acha que encontra nos precipitamos e nos entregamos demais, e por medo ou precaução as pessoas se afastam. E as coisas acabam, de repente, sem nenhuma outra forma de entendimento. Sem explicação.
Uma professora me disse uma vez que as pessoas não vão gostar da gente da maneira que queremos e que somos, mas sim da maneira que querem e podem. E isso é até difícil de engolir, porque não podemos fazer as pessoas gostarem de nós e isso é triste, é frustrante, acaba com o ego.
Talvez eu sonhe demais e quero que as pessoas mais impossíveis possam ficar ao meu lado e é quase alucinação... Queremos sempre alcançar o incansável, e na maioria das vezes acabamos assim: triste, magoados, cansados e frustrados.
Tem tanta coisa acontecendo, eu estou desanimada. Eu tenho um monte de provas semana que vem, trabalhos, seminários e até os estudos não me animam mais. Eu queria conversar com alguém, mas todos estão ocupados e cada um tem seu problema e tudo vai ficando acumulado. E tem dias que eu não agüento mais e eu passo o dia numa crise de choro e com dor de cabeça.
Bom, mas a esperança é a última que morre e nada na vida é previsível a não ser que você tenha sérios problemas com deja vú (ta, essa foi péssima) e não vamos definir nada ainda porque ainda pode haver mudanças, boas, espero...

1 de abril de 2008

É raiva...

Raiva é um sentimento de protesto, insegurança, timidez ou frustração, contra alguém ou alguma coisa, que se exterioriza quando o ego sente-se ferido ou ameaçado.

30 de março de 2008

Hoje eu fui à praia, apesar da chuva fina e do frio, deu para fazer uma caminhada e a água estava quente e calma...
E eu perdi meu livro...
É a vida...

29 de março de 2008

Adoro o calor e o verão, mas o frio, especialmente aquele que vem acompanhado por um sol quente e aconchegante, me dá uma sensação de bem-estar. Minha emoção fica mais presente, sinto lembranças à tona mais facilmente e é como se todos os meus sentidos ficassem mais aguçados.
Acordo mais disposta, fico caminhando pela casa de meias e sempre segurando uma caneca de chá. Aconchegar-me na poltrona, ler um bom livro e comer chocolate, tudo de bom! E se tiver companhia, melhor ainda...

14 de março de 2008

As pessoas vão gostar de você do jeito que querem e podem...

23 de fevereiro de 2008

The sky is very clear and blue, and the birds are flying. I was fishing, when i saw a shark biting a stone. Then i killed the shark, ate its meat and drank its blood and with the bones I built a house. Where I can live with my family... But i don't have a family....So i'm going to live alone and kidnapp some little children to live with me and we'll be happy forever after!

By: Michael Jackson

19 de fevereiro de 2008

Anna Nalick - Breathe (2am)
Anna Nalick
2 Am and she calls me cause I'm still awake
Can you help me unravel my latest mistake
I don't love him winter just wasn't my season.
Yeah we walk through the doors so accusing their eyes

Like they have any right at all to criticize
Hypocrites you're all here for the very same reason.

Cause you can't jump the track
We're like cars on a cable and life's like an
hourglass glued to the table,
No one can find the rewind button girl
So cradle your head in your hands.
And breathe, just breathe, whoa breathe just breathe

May he turned 21 on the base of Fort Bliss
Just today he sat down to the flask in his fist
Ain't been sober since maybe October of last year
Here in town you can tell he's been down for while
But my God it's so beautiful when the boy smiles
Wanna hold him but maybe I'll just sing about it

Cause you can't jump the track
We're like cars on a cable
And life's like an hourglass glued to the table,
No one can find the rewind button boys so cradle your
head in your hands
And breathe, just breathe, whoa breath just breathe

There's a light of each end of this tunnel you shout
cause you're just as far in as you'll ever be out
And these mistakes you've made
You'll just make them again if you'll only try turnin'
around

2Am and I'm still awake writing this song
If i get it all down on paper it's no longer inside of
me threaten' the life it belongs to.
And I feel like I'm naked in front of the crowd
Cause these words are my diary screamin' out aloud
And I know that you'll use them however you want to.

But you can't jump the track
We're like cars on a cable
And life's like an hourglass glued to the table,
No one can find the rewind button now
Sing it if you understand...yeah breath
Just breathe, ohho breathe

Você com certeza já teve um dia-planta, porque ninguém escapa. Dia-planta é aquele em que você se arrasta pela vida. Você sente preguiça, tem sono mesmo se tiver dormido o suficiente e acha que sua melhor amiga, amigo, seriado favorito e sua vida nem são tão legais assim. No outro dia, as coisas costumam voltar ao normal, mas como até chegar a hora de dormir você tem toda uma gama de horas-plantas pela frente, temos que controlar a situação para não ficarmos muitos neurótica.
Diferentemente de quando ficamos desanimadas por causa de um pé na bunda ou de uma nota ruim, esse dia aparece do nada. Quer dizer, talvez haja uma razão – o inconsciente, os astros, a composição química do cérebro ou a influência da lua nas marés - , mas, como ela é inacessível, é mais prático concluirmos que não há razão nenhuma. Se você insistir em transformar sua condição de planta numa crise existencial, tudo o que vai conseguir é ficar com dor de cabeça, chorar ou ter um ataque histérico. Ou as três coisas juntas. Melhor continuar na apática condição de planta, né?
Bom, geralmente, no dia seguinte, costumamos despertar como de costume. Mas, se acordar de novo nessa situação-planta, e depois de novo, e de novo, ih...aí, sinto informar que você virou uma pessoa-planta. Lute com todas as forças para que isso não aconteça, maas caso aconteça, lembre-se de fazer fotossíntese.

16 de fevereiro de 2008

Tédio, tédio, tédio...

15 de fevereiro de 2008

"É injusto que se apeguem a mim, embora o façam com prazer e voluntariamente. Eu iludiria aqueles em que despertasse desejo, pois não sou o fim de ninguém e não tenho com o que satisfazê-los. Não estou eu pronto para morrer? E, assim, o objeto do apego dessas pessoas morrerá. Logo, quando não seria eu culpado por fazer crer numa falsidade, embora eu a adoçasse e acreditasse nela com prazer, e que ela me desse prazer, ainda assim sou culpado de me fazer amar. E, se atraio as pessoas para que se apeguem a mim, devo advertir aqueles que estariam prontos a consentir na mentira de que não devem acreditar, qualquer que seja a vantagem que daí me advenha."

Blaise Pascal

14 de fevereiro de 2008

PS.: I Love You - o filme é horrível, mas a trilha sonora é boa!

10 de fevereiro de 2008

" A noite está estrelada,e tiritam, azuis, os astros lá ao longe
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços. Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava. Como não ter amado os seus grandes olhos fixos..."

Qualquer maneira de amor vale a pena

Eu fui apaixonada da terceira à quarta série. Lembro daquela época como se fosse uma novela mexicana, eu era só uma menininha que usava aparelho dentário, óculos cor-der-rosa, maria-chiquinha bem alta, pois é...até que faz tanto tempo assim, né? Ele estava na minha série, era o mais pentelho dos alunos, aquele que tirava sarro de tudo, eu que sempre gostei de um humor sádico, o adorava!
Primeira paixão, ninguém esquece. Hoje vejo como é lindo a paixão, pois gostar de um menino que tirava meleca do nariz e chutava seus coleguinhas, não é para qualquer um, não!
Enfim, todo mundo tem uma paixão. Eu estou numa fase super tranquila da minha vida, estou sozinha, mas aproveitando cada momento para pensar e repensar, e sabe, acho que as pessoas não aproveitam muito a solidão...
Eu já fui mais vulnerável, mas agora ando mais seletiva, mais exigente.
Bom, mas o que queria falar mesmo é sobre se apaixonar por uma pessoa do mesmo sexo. Eu tenho algumas amigas que são apaixonada por outras amigas. E elas, na maioria das vezes, sofrem muito por isso. Por que é tão complicado aceitarmos que garotos possam amar garotos e garotas possam amar garotas? Realmente, não sei. A homossexualidade é tão velha quanto o preconceito.
O que eu aprendi com as minhas paixões é que, se tem alguma ordem da qual não podemos fugir é a do próprio desejo. E isso é bom. É como se houvesse uma bomba-relógio dentro da gente, cujo tique-taque nos obrigasse a caminhar em direção à felicidade. Não temos muitas escolhas: ou lutamos pelo o que queremos, ou definhamos. Durante nossa breve passagem pela Terra não encontraremos nada mais sério que o amor. Nem o trabalho, nem a poesia, o dinheiro, nada, nada pode vir antes do amor na ordem geral das coisas.
Feliz ou infelizmente, para homo ou heterossexuais, não há livre arbítrio nas coisas do coração. Não elegemos a pessoa por quem nos apaixonamos. Apenas descobrimos, com as pernas bambas, as mão suadas e uma flecha no peito, que aquele ou aquela ali que queremos embaixo dos nossos lençóis. Conquitá-lo, conquistá-la e mudar o mundo, se preciso for, para ficarmos com ele ou ela é a nossa única opção.
Se a pessoa em que você pensa na cama, quando fecha os olhos, é alguém do seu mesmo sexo, não há nada de errado. O caminho talvez seja um pouco duro, mas tudo não passa de fichinha perto da imensa felicidade que nasce quando, olhos nos olhos, vocês disserem "eu te amo". A única tragédia afetiva é não amar. O resto, a gente resolve.

9 de fevereiro de 2008

Perfume são como jóias - cada um se usa numa ocasião - , apesar de não ser muito meu estilo usar vários tipos de perfume e jóias (como se tivesse muuuitas jóias no meu cofre), depende muito da ocasião, mas muito mesmo... Mas sempre temos um especial, é como camisa pólo - prática e básica
Enfim, meu perfume prático e básico saiu de linha, não vão mais vende-lo. Ele fazia parte de mim, parte do meu corpo, da minha pele, era meu cheiro! Como fizeram isso sem me consultar?
Tudo bem que eu posso procurar outro perfume, mas acontece que perfume é algo pessoal. É difícil encontrar um perfume que combine com você, que possa fazer parte da sua personalidade! Cheiros marcam. Quantas lembranças podemos ter quando sentimos uma fragrância de um determinado lugar?
Agora, vou passar dias, semanas, meses até... indo em lojas de perfumes e pegando amostras para descobrir qual será o meu próximo companheiro e alvo de lembranças.

Duplamente decepcionada.
Olha...faz muito tempo que eu tento procurar uma música que o refrão é "hum hum hum hum", ajudou muito, né?
Eu vi o clipe na VH1, aquele canal só passa clipes de músicas antigas. E é, essa música é antiga, o cantor era ou é bem cabeludo e bem charmoso também!
Sempre aparece o nome da música e do cantor no cantinho da tela, quando o clipe está para terminar. Mas, lerda como sou, nunca anoto...
Hoje eu ouvi essa música na rádio e eu quero achá-la...
"Ela cheira a mar. Ela cheira como as piscinas nas rochas à beira-mar de quando eu era criança. Ela guarda uma estrela-do-mar lá dentro. Eu me curvei para saborear o sal. Para escorregar meus dedos pela orla. Ela se abre e fecha como anêmona-do-mar. Todos os dias ela se enche de marés frescas de anelo."

Inscrito no Corpo - Jeanette Winterson
"A medida que a beijava aumentava o calor de seu corpo e ela exalava uma fragrância de montanha. Ela me respondeu com vibrações novas em cada polegadas de sua pele, e em cada uma encontrei um calor diferente, um sabor próprio, um gemido novo, e ela inteira ressoou por dentro com um arpejo, e seus mamilos se abriram em flor sem ser tocados."

Memórias de Minhas Putas Tristes - Gabriel Garcia Márquez

Foto antiga, muito antiga. Encontrei alguns cds hoje cheios de fotos!
Não me lembro deste dia...

7 de fevereiro de 2008

De modo geral, pessoas com alguma característica muito extrema em sua personalidade têm maiores chances de serem consideradas chatas pelo mundo. Vamos a um exemplo. Uma pessoa insegura é ok, mas as muito inseguras são bem malinhas. Mesmo porque, geralmente, elas não se contentam em ser inseguras sozinhas, mas precisam dividir suas inseguranças com os outros. E então você tem que ouvir coisas como “To indo, desculpa alguma coisa, ta?”, “Ai, você ta com raiva e mim? Mas jura que não? De verdade?”.

Bom, eu sou uma pessoa com várias características extremas. Eu já fui muito insegura, mas agora eu ando extremamente segura de tudo, ta bom, nem tudo. Isso é bom, até certo ponto, mas decisões seguras demais acabam nos agir impulsivamente, já que temos certeza do que queremos não temos medo de fazer, mas, no dia seguinte você acaba acordando com uma certa insegurança do que fez no dia anterior e logo depois se arrepende.Bom, agora fiquei confusa, isso são pessoas inseguras ou seguras?

Continuando... o pior ainda, é quando você tem um idéia que ao colocá-la em prática pode trazer várias conseqüências, não só a você, mas a todos que convivem com você. Idéias que te levam a obsessão nem sempre são boas, principalmente quando você está numa fase ruim, portanto, é nessas horas que não é bom agir impulsivamente.

Eu não sou psicóloga nem budista, mas pago pau para o caminho do meio.

Ah sim, eu assisti um filme ontem que se chama “Bem me quer... Mal me quer” , um filme francês com a mesma atriz que fez o filme Amélie Poulin. Enfim, é um filme ótimo, trata-se de uma menina erotomaníaca, ela é completamente obcecada por seu “namorado”. É muito bom, vale a pena assistir, principalmente se você se acha uma pessoa obcecada por idéias, desejos, sentimentos, etc. Você vai descobrir o que realmente é uma pessoa obcecada.

Eu tinha ganhado um presente, faz muito tempo, ano retrasado. Quando eu tinha ido para Poços de Caldas – MG, lá tem uma loja de cristais que se chama “C’dóro”, se não me engano é um rede só de Minas, assim como aquela loja “Bonecos Bizarros”, bom a Elza me disse que abriu uma dessas em São Paulo, essa loja vende cada boneca tão bizarra que é difícil uma criança não ficar traumatizada, mas os colecionadores adoram! Mas enfim, essa loja que vende cristais é imensa, tem prateleiras de vasos amarelos, outra de vasos azuis, outra de vasos vermelhos. Numa outra sala, tem várias miniaturas de animais feito de cristais, além de qualquer outro objeto que você possa imaginar, é tudo tão lindo e caro. Eu adorava passear naquela loja com minhas primas, não comprávamos nada, claro, mas adorávamos ficar vendo como eram feito os objetos de cristais. Ah sim, tinha uma sala de vidro para que pudéssemos ver as etapas da confecção de cada enfeite de cristal...

Bom, um dia, ganhei do meu padrinho um presente de aniversário. Era uma caixinha de papelão, bem pequena, embrulhada com todo cuidado com um papel prateado e um adesivo escrito “C’dóro” , imaginava encontrar um peso de papel, aqueles redondos com uns desenhos dentro, principalmente porque meu padrinho nunca foi lá daqueles que acertam nos presentes. Ele é engenheiro então tudo o que ele costuma me dar é: calculadora científica, conjunto de réguas, jogos matemáticos...

Mas vejam a surpresa, dentro da caixinha tinha o plástico – bolha e uma espuminha em baixo (olha só o cuidado) e, finalmente o presente. Eram quatro patinhos pequenininhos e um pato maior. Mamãe e seus filhinhos. Dentro dos patinhos tinha uma coloração que parece um verde azulado, linda cor!

Bom, eu guardei com todo carinho e esperei chegar em casa para coloca-los em cima da minha cômoda.

Eu nunca fui muito fã de bibelôs (aqueles anjinhos, bailarinas, cachorrinhos e qualquer outra coisa bonitinha feito de cerâmica que serve somente para enfeitar) Eu nunca liguei muito para esses enfeitinhos de cômoda e mesa, mas aqueles patinhos eram diferentes, eles eram delicados e tinham uma cor tão linda que o melhor lugar que eu achei para colocá-los foi na minha cômoda ao lado do Slash, meu peixinho beta que morreu de tanto comer, mas essa é uma outra história.

Bom, dias e dias os patinhos ficaram lá e nada tinha acontecido até um dia que, não sei como, acho que por desleixo meu eu acabei derrubando um no chão. Espatifou em mil pedacinhos, até farelinho formou no chão. Impossível de colar. Decepção, mas ainda tinham três patinhos e a mãe...

Depois de um tempo, a Mara, que sempre limpa nossa casa, deixou cair num chão também. Ela não disse nada, limpou a sujeira e deixou os outros dois patinhos e a mãe em cima da cômoda, como se eu não fosse perceber nada...

Depois de mais alguns meses e uma briga com meu irmão, e ele num acesso de ignorância e brutalidade jogou um livro – aquele da Enciclopédia Barsa – vermelho e pesado, em cima da minha cômoda e adivinhem só, a mãe pata, no meio do desespero de ver um livro gigante cair em cima dela e de seus filhotinhos – teve uma reação suicida e pulou da cômoda – achando que conseguiria voar, também espatifou...

Sobraram só os dois órfãos, que eu acabei guardando-os numa caixa e escondi no fundo do armário.

Anteontem, me lembrei da caixa, tinha me esquecido completamente dos dois órfãos que foram levados para um internato e ficaram trancafiados sem poder ver a luz do sol...Que surpresa, estavam vivos!

Coloquei na antiga cômoda, que hoje está bem mais mal arrumada... Dois dias de nostalgia e hoje eu esbarrei neles, eles foram para o chão. Os dois de uma só vez, e lá se foi à família dos patinhos verde-azulados, não sobrou nenhum. Na verdade os dois patinhos, se tivessem mais sorte, iriam continuar juntos e vivos, sem outros amigos e parentes... Foi melhor assim.

5 de fevereiro de 2008

Eu concordo com você, quando escreveu que somos feitos e pedaços de pessoas que passam pela nossa vida, realmente, somos esse apanhado de emoções e pessoas que nos rodeiam e sem elas não seríamos os mesmo.
Para mim você fez a diferença, é uma pena que você não possa dizer o mesmo para mim, eu sei... Mas tudo bem =)
Eu sou o tipo de pessoa que quando gosta de alguém ou gosta muito ou não gosta nada, extremista. Eu não consigo ser como você, e toda essa gente: os budistas, os estóicos, os librianos, os psicólogos, os equilibristas, enfim, essas pessoas que valorizam o equilíbrio, que eu dificilmente acho e, quando acho, logo perco de novo - mas, enfim, a graça é continuar tentando.
Eu não sei, sabe, você tem algo de diferente...
Sabe por que eu estou fazendo isso? Por que eu quero mesmo que você não se esqueça de mim, eu não quero mesmo...
Eu sei que você tem a sua vida aí e eu tenho a minha vida aqui, e eu estou escrevendo isso agora, amanhã eu vou desistir de ter escrito tudo isso - outra atitude impulsiva - mas dane-se...Você já vai ter lido tudo mesmo, eu acho...
Eu sei que você acabará não vindo me ver mesmo, quando uma coisa teima que não vai dar certo, não dá..Então, a melhor maneira de você não me esquecer é saber que eu estou aqui, escrevendo tudo isso para você...
Tudo acaba um dia, a nossa amizade, carinho e compreensão também vão acabar, pode não haver lembranças. Tudo acaba um dia. Numa Quarta-Feira de Cinzas, numa terça-feira de Carnaval. Tudo se perde, entre o rebolado de duas passistas, o bumbo ecoando as batidas que já não vêm do coração. Tudo morre, morre de velhice, de obesidade, de preguiça...O que existia não irá existir mais, vai embolorar, criar fungos, amarelar; acabar entre uma lua e outra, e pode não haver lembranças...
Entendeu agora?
Depois de alguns desencontros, como seres humanos frágeis e delicados, acabamos por nos esconder dos outros. Mesmo quando nos relacionamos com alguém, escondemos nossos sofrimentos, não dizemos sempre a verdade...
Cada um tem seu modo de demonstrar seu afeto. Às vezes o jeito é tão sutil que passa despercebido, só com o tempo você nota. Às vezes é tão exagerado que até deixa sem jeito quem recebe. Tem pessoas que demonstram falando, outras pelo toque, algumas apenas pelo olhar... Tem aquelas que, quando você menos espera, aparecem com um presente...


Teus braços, de que servem
esses braços
de frouxos abraços
E esses olhos que vêem
através
e namoram horizontes
E teus pés que caminham
por caminhos
cada vez mais distantes
Tua boca (me diga),
de que serve
essa boca
de obscuras metáforas
e suspirosos silêncios
Pelo menos, quando te beijo
podias disfarçar
o bocejo
Estava relendo o último texto e percebi que há vários erros, mas o maior foi eu não ter relido antes de postá-lo..Enfim, sei que não será muitas pessoas que o lerão então está tudo ok! =)

Não ser capaz de entender a escrita e não conseguir, através de seu bom uso, expressar ao mundo o que se sente, nem compreendê-lo em seus mais diversos aspectos é, sem dúvida, uma forma de solidão. E você, se considera um bom entendedor? Como vai o seu relacionamento com as palavras?
Tem coisas que a gente controla, tem outras que não. E a maioria a gente controla até certo ponto: como nunca sabemos 100% as conseqüências dos nossos atos, vamos escolhendo meio no planejamento, meio no chute. Às vezes acontecem umas coisas lindas, às vezes acontecem umas coisas péssimas.
E quando as coisas ficam péssimas, começamos a remoer as situações e acrescentamos sempre o “E se eu tivesse feito tal coisa ao invés daquela...” , mas não adianta nada. O que está feito está feito. Por mais que não acertemos a situação, não tem como voltar atrás, o ideal é lidar com a situação inesperada e tentar de novo ou não.
De qualquer forma, quando algo péssimo acontece, ficamos com um emaranhado dentro de nós – de sentimentos, sensações, explicações hipotéticas, soluções imaginárias, lembranças, esperanças: é dessa bagunça que são feito os emaranhados - , achamos que o melhor método é se autocentrar. Afinal, não é dentro de nós que esse bolo confuso está? Então, é lá que queremos estar também... Olhando para ele, falando com ele, ameaçando-o...
Temos que aprender a lidar com nossos sentimentos ruins. Sentimentos ruins sentem ciúmes dos bons. Sentimentos ruins são mimados: adoram quando dão atenção a eles. Sentimentos ruins nascem com os tombos, os medos, a insegurança, etc
Tudo bem que todo mundo leva uns tombos de vez em quando. Mas não é sempre. Não é possível que você caia sempre de bicicleta, certo? É a mesma coisa, não é possível que a vida te de tantos tombos de uma só vez.
Bom, talvez ela esteja cansada de você e quer que você cresça rápido demais ou ela está te preparando para algo muito ruim que pode vir ou ela não está te preparando para nada, só você que não consegue enxergar as coisas boas que ela deixa no meio de tantas coisas ruins...
Esse assunto é tão cansativo. Eu acho mais divertido falar dos duendes que roubam canetas Bic..
Eu nem mesmo sei como acabar esse texto...
Quem mais queremos ao nosso lado, nunca pode estar, e nunca vai estar. Eu não preciso de palavras eu só queria um olhar...
Sabe, vai ter um dia, que eu vou sumir e ninguém mais vai ter notícias de mim...
Alguém já ouviu Sonata ao Luar – Beethoven? Essa música não sai da minha cabeça. Ele compôs quando estava ficando surdo. É incrível como ele consegue expressar toda a sua tristeza. Reparem nos dois últimos acordes idênticos. Tônica sobre tônica.
Ah sim, falando em acordes, eu acho que todo mundo deveria saber sobre três acordes principais que todas as músicas possuem.
O primeiro é o Tônico, aquele que comentei ali em cima, ele é o primeiro acorde de toda a música e deveria ser o último acorde das músicas. Acontece que quando ouvimos esse acorde temos a sensação de que a música está começando ou que acabou. Eu não vou entrar em detalhes, porque se não quem não entende muito de música não vai entender nada. O importante é saber que o acorde tônico é sempre o primeiro!
O segundo é o subdominante, ele indica que a música está em andamento, então sabemos que ela não vai acabar de repente, óbvio!
E o terceiro é o dominante, ele sim indica o término da música. Sabe quando você está numa audição e de repente você sente que a música está para terminar e já vai levantando as mãos para aplaudir, mas a música continua... Pois é, essa falsa expectativa foi lançada por um acorde dominante. O rock é cheio desses acordes dominante, então todo mundo fica na expectativa da música terminar e seu cérebro começa a receber adrenalina e todos começam a pular como loucos, o que é exatamente o que aconteceu num show de rock...
Nosso cérebro gosta de seqüências exatas, então quando você interfere nessas seqüências ele fica “eufórico” para saber o que vem logo após, o barato da música é esse, adivinhar os acordes.
Na música clássica há a cadência perfeita, acordes tônicos, subdominante e dominantes – exatamente nessa ordem – é como começo, meio e fim. Então, nosso cérebro sabe exatamente a seqüência por isso não tem tanta graça ouvir música erudita, depois de dez minutos estão todos dormindo ou entediados.
Tudo bem, depende o compositor, há alguns como Rachmaninoff e Beethoven que sabem exatamente usar uma seqüência de dominantes e logo em seguida colocar uma tônica, são gênios! Suas músicas são incríveis, não há compostor melhor que os dois.
Bom Chopin usa muitas tônicas e acordes menores (aí é outra história), mas é por isso que suas músicas são muito tristes ou dão muito sono. Ah sim, claro que também tem o lado do histórico e da época de cada um, mas enfim, hoje em dia é difícil encontrar algum compositor que entenda sobre esses três acordes e que saiba como usa-los.
Alguém viu o último episódio do House, ainda bem que ele demitiu aquela loirinha besta, ela era muito competitiva, bom, mas isso não vem ao caso. O paciente daquele episódio sofria por conta de várias espasmos e atitudes estranhas, o maravilhoso e charmoso House descobriu que o paciente, por ser músico e tocar rock (aquilo não era bem rock, eram vários acordes distorcidos, na verdade, acordes dominantes distorcidos) seu cérebro recebia tanta adrenalina, por conta dos acordes, que ele começou a ter espasmos e atitudes como o da Síndrome de Tourette.
Ah, eu sonhei essa noite que estava afogando minhas bonecas, e eu era bem pequenininha... Eu nunca fui muito fã de bonecas, eu sempre preferi ursinhos de pelúcia, as bonecas que eu ganhava eram terrivelmente massacradas. Toda criança gosta de destruir alguma coisa, toda criança tem uma fase cruel. Eu não acho que era muito malvada, há pessoas que quando crianças gostavam de fogo ou ainda gostam, pequenos piromaníacos, pois é...To falando de você mesmo! =P
Eu gosto de fogo, mas prefiro água, eu espero morrer afogada...
Você tem medo de morrer? Não me parece ser tão horrível assim, bom eu acredito em vida após a morte, portanto não acho que seria tão ruim...
Desde que acordei não parei de espirrar, deve ser o tempo...