7 de fevereiro de 2008

Eu tinha ganhado um presente, faz muito tempo, ano retrasado. Quando eu tinha ido para Poços de Caldas – MG, lá tem uma loja de cristais que se chama “C’dóro”, se não me engano é um rede só de Minas, assim como aquela loja “Bonecos Bizarros”, bom a Elza me disse que abriu uma dessas em São Paulo, essa loja vende cada boneca tão bizarra que é difícil uma criança não ficar traumatizada, mas os colecionadores adoram! Mas enfim, essa loja que vende cristais é imensa, tem prateleiras de vasos amarelos, outra de vasos azuis, outra de vasos vermelhos. Numa outra sala, tem várias miniaturas de animais feito de cristais, além de qualquer outro objeto que você possa imaginar, é tudo tão lindo e caro. Eu adorava passear naquela loja com minhas primas, não comprávamos nada, claro, mas adorávamos ficar vendo como eram feito os objetos de cristais. Ah sim, tinha uma sala de vidro para que pudéssemos ver as etapas da confecção de cada enfeite de cristal...

Bom, um dia, ganhei do meu padrinho um presente de aniversário. Era uma caixinha de papelão, bem pequena, embrulhada com todo cuidado com um papel prateado e um adesivo escrito “C’dóro” , imaginava encontrar um peso de papel, aqueles redondos com uns desenhos dentro, principalmente porque meu padrinho nunca foi lá daqueles que acertam nos presentes. Ele é engenheiro então tudo o que ele costuma me dar é: calculadora científica, conjunto de réguas, jogos matemáticos...

Mas vejam a surpresa, dentro da caixinha tinha o plástico – bolha e uma espuminha em baixo (olha só o cuidado) e, finalmente o presente. Eram quatro patinhos pequenininhos e um pato maior. Mamãe e seus filhinhos. Dentro dos patinhos tinha uma coloração que parece um verde azulado, linda cor!

Bom, eu guardei com todo carinho e esperei chegar em casa para coloca-los em cima da minha cômoda.

Eu nunca fui muito fã de bibelôs (aqueles anjinhos, bailarinas, cachorrinhos e qualquer outra coisa bonitinha feito de cerâmica que serve somente para enfeitar) Eu nunca liguei muito para esses enfeitinhos de cômoda e mesa, mas aqueles patinhos eram diferentes, eles eram delicados e tinham uma cor tão linda que o melhor lugar que eu achei para colocá-los foi na minha cômoda ao lado do Slash, meu peixinho beta que morreu de tanto comer, mas essa é uma outra história.

Bom, dias e dias os patinhos ficaram lá e nada tinha acontecido até um dia que, não sei como, acho que por desleixo meu eu acabei derrubando um no chão. Espatifou em mil pedacinhos, até farelinho formou no chão. Impossível de colar. Decepção, mas ainda tinham três patinhos e a mãe...

Depois de um tempo, a Mara, que sempre limpa nossa casa, deixou cair num chão também. Ela não disse nada, limpou a sujeira e deixou os outros dois patinhos e a mãe em cima da cômoda, como se eu não fosse perceber nada...

Depois de mais alguns meses e uma briga com meu irmão, e ele num acesso de ignorância e brutalidade jogou um livro – aquele da Enciclopédia Barsa – vermelho e pesado, em cima da minha cômoda e adivinhem só, a mãe pata, no meio do desespero de ver um livro gigante cair em cima dela e de seus filhotinhos – teve uma reação suicida e pulou da cômoda – achando que conseguiria voar, também espatifou...

Sobraram só os dois órfãos, que eu acabei guardando-os numa caixa e escondi no fundo do armário.

Anteontem, me lembrei da caixa, tinha me esquecido completamente dos dois órfãos que foram levados para um internato e ficaram trancafiados sem poder ver a luz do sol...Que surpresa, estavam vivos!

Coloquei na antiga cômoda, que hoje está bem mais mal arrumada... Dois dias de nostalgia e hoje eu esbarrei neles, eles foram para o chão. Os dois de uma só vez, e lá se foi à família dos patinhos verde-azulados, não sobrou nenhum. Na verdade os dois patinhos, se tivessem mais sorte, iriam continuar juntos e vivos, sem outros amigos e parentes... Foi melhor assim.

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