10 de fevereiro de 2008

Qualquer maneira de amor vale a pena

Eu fui apaixonada da terceira à quarta série. Lembro daquela época como se fosse uma novela mexicana, eu era só uma menininha que usava aparelho dentário, óculos cor-der-rosa, maria-chiquinha bem alta, pois é...até que faz tanto tempo assim, né? Ele estava na minha série, era o mais pentelho dos alunos, aquele que tirava sarro de tudo, eu que sempre gostei de um humor sádico, o adorava!
Primeira paixão, ninguém esquece. Hoje vejo como é lindo a paixão, pois gostar de um menino que tirava meleca do nariz e chutava seus coleguinhas, não é para qualquer um, não!
Enfim, todo mundo tem uma paixão. Eu estou numa fase super tranquila da minha vida, estou sozinha, mas aproveitando cada momento para pensar e repensar, e sabe, acho que as pessoas não aproveitam muito a solidão...
Eu já fui mais vulnerável, mas agora ando mais seletiva, mais exigente.
Bom, mas o que queria falar mesmo é sobre se apaixonar por uma pessoa do mesmo sexo. Eu tenho algumas amigas que são apaixonada por outras amigas. E elas, na maioria das vezes, sofrem muito por isso. Por que é tão complicado aceitarmos que garotos possam amar garotos e garotas possam amar garotas? Realmente, não sei. A homossexualidade é tão velha quanto o preconceito.
O que eu aprendi com as minhas paixões é que, se tem alguma ordem da qual não podemos fugir é a do próprio desejo. E isso é bom. É como se houvesse uma bomba-relógio dentro da gente, cujo tique-taque nos obrigasse a caminhar em direção à felicidade. Não temos muitas escolhas: ou lutamos pelo o que queremos, ou definhamos. Durante nossa breve passagem pela Terra não encontraremos nada mais sério que o amor. Nem o trabalho, nem a poesia, o dinheiro, nada, nada pode vir antes do amor na ordem geral das coisas.
Feliz ou infelizmente, para homo ou heterossexuais, não há livre arbítrio nas coisas do coração. Não elegemos a pessoa por quem nos apaixonamos. Apenas descobrimos, com as pernas bambas, as mão suadas e uma flecha no peito, que aquele ou aquela ali que queremos embaixo dos nossos lençóis. Conquitá-lo, conquistá-la e mudar o mundo, se preciso for, para ficarmos com ele ou ela é a nossa única opção.
Se a pessoa em que você pensa na cama, quando fecha os olhos, é alguém do seu mesmo sexo, não há nada de errado. O caminho talvez seja um pouco duro, mas tudo não passa de fichinha perto da imensa felicidade que nasce quando, olhos nos olhos, vocês disserem "eu te amo". A única tragédia afetiva é não amar. O resto, a gente resolve.

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